Adoro esta musica..





domingo, 28 de fevereiro de 2010




Era uma vez...

Sim, era uma vez um reino onde só havia felicidade. Seu rei e sua rainha tinham um casamento maravilhoso e geraram 3 lindos principezinhos...
Ninguém neste reino conhecia a maldade, pois altos muros separavam o reino do mundo de fora...
O rei às vêzes viajava para terras próximas pois tinha reuniões em outros reinos e voltava cheio de novidades para a rainha, que ouvia com atenção.
Eles se conheciam desde pequeninos, e se gostavam muito. Nunca tinham tido outros amores, viviam um para o outro..
Mas estas visitas a outros reinos tocaram de tal forma o rei, que ele permitiu a entrada de um ogro no seu castelo. Ele ouvia tudo, guardava tudo, aconselhava o rei, e começou a invejar tanta felicidade...
A rainha reagiu muito mal àquela invasão. O ogro era consultado para tudo e um dia chamou a rainha em uma das salas do castelo. Ela não queria ir de jeito nenhum, mas foi convencida pelo rei e pelo sogro já velhinho que ela precisava se inteirar das reformas que seriam implantadas.
Ao chegar na sala, a rainha de início achou o ogro horrível, feio, com uma barba cinza estranha que exalava um odor também estranho. O ogro falava com uma voz macia e começou a olhar fixo para ela. Ela se sentiu meio tonta e saiu. Nada foi conversado sobre reino e sim sobre o rei . Ele sempre a chamava para intermináveis conversas. Aos poucos ele foi tomando conta da alma da rainha, que era mais frágil que o rei e mais fácil de ser induzida a completar o plano sórdido que foi traçado pelo ogro...
Ele não podia suportar aquela felicidade e aos poucos percebeu os pontos fracos que poderiam minar aquela felicidade toda. O ogro maldosamente contou das aventuras do rei em outras terras, outros amores, festas, lugares onde se praticavam atos sórdidos e colocou muito ciume e raiva na rainha.
Pela primeira vez ela sentia aquilo, nunca tinha sido tocada pelo mal e o ogro era um mago do mal.
Cada dia ela ficava mais atraída por ele e com raiva do rei, que de nada sabendo continuava sendo orientado pelo mago do mal, que manobrava os reis como marionetes.
Um dia a tristeza se abateu sobre o reino, o ogro convenceu a rainha a conhecer o mundo de fora dos muros e levou-a para conhecer o local que ele morava.
Com a alma dominada, todo mal se transformava em bem, e ela deslumbrada com o que via, não retornou mais para o seu castelo e para o seu rei..
Este não se conformou, lógico, com a dupla traição, e baniu a rainha proclamando aos 4 ventos o que ela havia feito.
Ninguem mais falava com a rainha, mas ela não se importava com nada, tão deslumbrada estava com o que via e sentia...
Os princepezinhos aparentemente não entendiam o que se passava. Como a mãe morava em um lugar tão feio e convivia com o inimigo do pai?
De início o ogro tentou conviver com as crianças mas logo se entediou, pois almas infantis são difíceis de serem enganadas.
E de repente a rainha se viu só,imensamente só...
O local que no início ela foi morar, começou a aparecer como realmente era, feio, e o ogro , depois de breve encantamento se mostrou como realmente era. Depois de tirar a alma da rainha, todas as noites retornava a casa onde vivia, com retalhos de almas de outras vítimas. Ele se alimentava da felicidade dos outros, e a sua vida era incansávelmente mantida com outros tolos que nele confiavam.
A rainha não podendo retornar ao reino, ouvia os rumores do que acontecia por lá. Pouco tempo depois o rei casou-se com uma princesa, para que a lembrança da rainha fosse esquecida para sempre.
Nem mesmo os parentes da rainha a recebiam.
Sem saber o que fazer, no exílio, sem amor, a rainha sofria de saudade dos filhos, que raramente via, pois o ogro impunha a ela tantos impecílios e ameaçava sempre maltratar os príncipes. Quantas vezes a rainha andava léguas sem fim, só para ver seus filhos de longe...
Mas este tempo, a rainha descobriu um alçapão secreto onde o ogro guardava os retalhos das almas de suas vítimas e lá como o maior troféu estava a sua própria alma. Ela sem que o ogro percebesse, começou a substituir pequenos pedaços da sua por outras e foi sofridamente costurando a sua própria alma..
Um dia ela se olhou no espelho e em vez da grande mancha preta que às vêzes via, começou a aparecer a imagem daquilo que ela fora um dia, ou melhor pequenos pontos eram iluminados, pois no lugar das costuras, uma linda luz verde foi se instalando. E ela foi se fortalecendo e um dia depois de uma terrível luta com o ogro conseguiu se libertar, deixando-o fraco para segui-la pois toda a sua alma já estava costurada e ela espertamente escondeu os outros retalhos em uma grande bolsa que levava.
Aos poucos a rainha sem nada a não ser a sua bolsa, chegou aos muros do seu antigo reino.
Muitos súditos nem a reconheceram e sua mãe concedeu-lhe um lugar para dormir, mas sempre deixou claro para a rainha a incrível vergonha que ela havia feito toda a família passar...
Aos poucos a rainha reuniu forças, começou a trabalhar em afazeres muito aquém de suas aptidões, mas o suficiente para alugar um local só seu para morar, onde ninguem sabia quem ela era...
Os principes aos poucos foram se aproximando, mas cheios de mágoa . O rei também se aproximou, e a antiga cumplicidade e amizade voltaram, mas eles não conseguiam retirar de dentro do peito a enorme ferida causada pelo ogro.
Os anos foram passando, até que o rei faleceu vitimado por uma doença incurável. E nesta hora a rainha foi apontada como causadora da doença, devido a tristeza que provocada anos atrás.
Começaram a nascer os netinhos, e a rainha começou a ser chamada para ajudar seus filhos.
Não era muito ,mas era um início.
E aí da mesma forma que apareceu o mal na sua vida, de repente apareceu o bem, encarnado em uma fada fantasiada de gente.
Seus olhos expressavam amor, e a proximidade dela e seus conselhos fizeram a rainha aos poucos acordar do terrível pesadelo que a atormentava. Ela vivia assombrada pela culpa, e esta fada aos poucos a convenceu de que o passado devia ser deixado, e o foco teria de ser o futuro..
E a rainha lembrou-se da bolsa com a sua agulha, a sua linha mágica, e foi encontrando pelo seu caminho pessoas que a ajudaram muito a recuperar tudo que havia de mais precioso...
Uma alma inteiramente restaurada, sem culpas ou pontos pretos tocados pelo mal.
Do ogro nunca mais a rainha ouviu falar.
Hoje ela vive uma vida simples,mas honrada. Os filhos já adultos a ajudam nas suas necessidades básicas. E ela não se cansa de tentar uma aproximação mais amorosa. Aos netos ela derrama o que não pode dar a seus filhos. O que ninguem sabe é que às vêzes a rainha se transforma, e quase invisível chega perto de pessoas que necessitam, tira a sua agulha e linha mágicas da grande bolsa que sempre carrega e costura quase imperceptívelmente a alma de quem precisa e acredita...
Entrou por uma porta , saiu por outra e quem quiser que conte outra...
Posted by Anna Maria on 18:29



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2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Sandra disse...

    Uau!!!
    Eu fiquei arrepiada!!!
    É denso, real, cinza...mais tem um final maravilhoso...ufa!

    Ainda bem que deu tempo de quebrar o espelho, se é que me entende...Obrigada por ter aparecido na minha vida.
    Bjs
    Sandra Lamhut
    28 de fevereiro de 2010 10:

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